20 de maio de 2013

Paò: Pessoas que somam com a Siobá




A Irmandade Siobá  tem como finalidades  honrar, defender  e preservar os interesses e fundamentos das religiões de origem africana para dar seguimento ao trabalho a Siobá realiza mesas de discussões, encontros e debates afim de orientar e  contribuir positivamente com os Povos de Terreiro.
No último sábado, 11/5, foi realizada mais uma atividade da Irmandade, desta  vez, no Espaço Cultural Vovó Conceição, situado no Ilê Axé Iyá Nassô Oká - Casa Branca, uma reunião ordinária mensal e de Acolhimento aos Novos Candidatos a Membro Siobá.

Na pauta do evento uma homenagem a ex-vereadora e atual assessora da SETRE, Olívia Santana, pelas contribuições prestadas a Siobá. Constava também definição de datas para a atividade de Roda do Povo de Terreiro (RPT) e das Reuniões Ordinárias desse segundo semestre da Irmandade. 

O principal objetivo da atividade da RPT é ouvir e orientar acerca dos direitos do povo de candomblé, e juntos, buscar soluções de melhoria para os Terreiros visitados.

Partindo dos princípios de atuação da Siobá, em uma das Rodas do Povo de Terreiro ocorrida na Ilha de Itaparica, foi solicitada à Irmandade Siobá, esclarecimentos sobre atuações do Programa do Governo Federal de distribuição de cestas de alimentos para as casas de asé. Que segundo fora explanado os Terreiros da Ilha não estão incluídos nesta distribuição.

Na Bahia existe um Comitê Gestor formado por algumas entidades tais como Akibanto, Unegro e outras, que são responsáveis pela distribuição dos alimentos para as casas de asé, esta última da qual, Olívia Santana  a homenageada do dia, é membro. A SEPPIR é quem determina a organização de cada comitê estadual.

Segundo Olívia, ‘o trabalho que realiza junto à Unegro tem encontrado muitas dificuldades  para se desenvolver da maneira ideal abrangendo todos os Terreiros de Asé, mas tenho a paciência necessária para esperar os bons momentos.’
De fato o que a Assessora Olívia, apresentou foram várias informações sobre projetos de Empreendedorismo para Comunidades Tradicionais, Programa de Horta Comunitária, etc.

Após sua explanação foram feitas mais algumas considerações dos membros da Irmandade e para finalizar as atividades a homenagem foi apresentada inicialmente pelo Irmão Valdélio que teve a honra de entregar a Comenda escolhida para Agradecermos a Professora, Assessora e Ex-vereadora Olívia Santana.

A  mesa foi encerrada com um cântico de agradecimento ao Orisá Osún, que foi acompanhado por  todos os presentes.                                                                                                         


 Ivana Flores

6 de maio de 2013

Entidades Negras e Religiosos de Matrizes Africana protestam contra projeto de lei


Inúmeros adeptos da Religião de Matriz Africana e entidades do movimento negro da Bahia se uniram na tarde de segunda 6, na Câmara Municipal da capital, para protestar contra o projeto de Lei do vereador Marcel Moraes(PV/BA), que determina acabar com o sacrifício de animais em rituais religiosos.















Cantando salvas de Cablocos, segurando faixas e cartazes e aos gritos os quase 300 religiosos lotaram a Câmara desde suas escadarias até o plenário. A todo momento eram entoados cânticos sagrados do candomblé entre pausas para gritarem por respeito e não apenas  tolerância





Silvio Humberto vereador apoia religiososMuitos colegas de casa do vereador se posicionaram a favor dos religiosos e contra a proposta de Marcel. ‘Eu disse a ele que tivesse cuidado que ele estava falando de algo que ele não conhecia, e quem semeia vento colhe tempestade, aqui por enquanto ainda esta acontecendo uma tempestade pacífica das pessoas que defendem idéias. Ele não domina e ainda é fechado para aprender, o senhor Marcel é daqueles que acha que Exu é Diabo’, concluiu o vereador Silvio Humberto (PSB/BA).


Vereador Silvio Humberto a favor dos religiosos


‘Essa lei além de ilegal e inconstitucional, ainda possui um fundo racista, como em outrora tentaram calar nossas manifestações o senhor Marcel Moras deseja reviver tudo isso, segundo Valdélio Silva, coord. comunicação da Irmandade Siobá.

Para Jaci Nascimento, ‘é um projeto louco e absurdo,  é uma perversidade com o povo de santo e essa manifestação é para a retirada deste projeto sem o menor fundamento legal e nem constitucional. O que ele quer é acabar com nossa religião pois quando retira nosso sagrado não existimos mais.’


Oferenda e alimento
‘Nós não maltratamos os animais apenas fazemos oferendas aos Orisás e a carne deste animal é dividida na nossa comunidade que é bem carente e até o coro vai para os atabaques, disse o Táta RicardoTavares.

                             Táta Ricardo Tavares e Ékédji e professora  Jaci Nascimento


Realidade
Diante de tantos e graves problemas que a capital baiana enfrenta diariamente, a casa dos vereadores deve inclinar-se para votar resoluções diretas e que contemplem a sociedade soteropolitana com melhorias no transporte público, mais recursos para a saúde e segurança, a limpeza da cidade e principalmente, investir os recursos na educação e valorização do ensino nas escolas públicas.


Intolerância e Covardia
Como já era esperado o vereador causador da polêmica, Marcel Moraes, não compareceu à Câmara. Preferiu mais uma enviar representantes que mal sabiam se expressar e menos ainda fundamentar o que fora proposto no projeto. A aprovação deste projeto resultaria num declive social e um desrespeito a uma ancestralidade única trazida nos primórdios do descobrimento.

Apoio  na Câmara
Também estiveram presentes Aladilce Souza (PC do B), Hilton Coelho (PSOL/BA), Moisés Rocha (PT/BA), Pepê (PMDB/BA), Suica (PT/BA), Leandro Guerrilha (PSL/BA) e outros políticos e religiosos como a ex-vereadora e militante Olívia Santana, os ogans Walter Rui e Edvaldo Sátiro, a ekedji e professora Jaci Nascimento, além de muitos Babalorisás e Ialorisás.



Ivana Flores

26 de abril de 2013

Ialorixá Mãe Stella de Oxóssi é a nova 'imortal' da Academia de Letras da BA

                                             Imortal da Academia de Letras da Bahia



A ialorixá do terreiro Ilê Axé Opó Afonjá, Mãe Stella de Azevedo dos Santos, também chamada de Mãe Stella de Oxóssi, a partir desta quinta-feira (24), passa a ocupar a cadeira de número 33 da Academia de Letras da Bahia.

A mãe-de-santo recebeu 22 votos dos acadêmicos em sessão realizada nesta quinta-feira (25) com objetivo de escolher o novo nome para vaga deixada pelo historiador Ubiratan Castro, que morreu em janeiro.

Mãe Stella foi comunicada pelo presidente da Academia, Aranis Ribeiro Costa, e aceitou ser a nova "imortal". "Acredito que é a primeira vez que uma mãe-de-santo entra em uma Academia de Letras. Isso é absolutamente pioneiro, não tenho conhecimento disso em nenhum outra do Brasil ou do mundo. Representa o reconhecimento de uma cultura, de uma raça e da história de um povo. É uma figura notável", comemora.

O poeta Castro Alves é o patrono da cadeira 33, que já foi ocupada por nomes como Francisco Xavier Ferreira Marques, Heitor Praguer Frois, Waldemar Magalhães Mattos, além de Ubiratan, que era presidente da Fundação Pedro Calmon.

A Academia de Letras da Bahia tem 40 membros, entre eles, João Ubaldo Ribeiro, José Carlos Capinan, Myrian Fraga, Cid Teixeira, Ruy Espinheira Filho, Consuelo Pondé, Hélio Pólvora, Florisvaldo Matttos e Edivaldo Boaventura.

Mãe Stella é colunista do jornal A Tarde e autora de livros como "Meu tempo é agora", "Òsósi - O Caçador de Alegrias" e "Epé Laiyé- terra viva". Em 2009, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).



Fonte: G1


2 de abril de 2013

'Música do candomblé não tem que ficar presa ao terreiro', diz idealizador do projeto Pradarrum


Tão sonoro quanto o nome, o projeto “Pradarrum”, lançado neste final de semana em Feira de Santana, firma raízes na matriz musical afro-religiosa da Bahia. Idealizado e dirigido pelo experiente músico, arranjador e pesquisador de ritmos Gabi Guedes – integrante da Orkestra Rumpilezz e da banda base do Jazz no MAM-BA –, juntamente com o seu sobrinho, o jovem guitarrista e arranjador musical Felipe Guedes, o projeto pretende mostrar a música do candomblé em sua plena conexão com a “world music”.
 
E o que significa Pradarrum? “’Rum’, a última palavra, é o atabaque maior, que tem a responsabilidade de evocar os orixás e, também, com suas variações, acompanhar o movimento da dança. ‘Darrum’ é quando o Ogan toca e canta para evocar os orixás: Você está dando "rum" ao orixá. Aí vem, o "adarrum", que é um ritmo sagrado que faz parte da religião do candomblé. O "pra" pode ser um paó, que é quando você tem duas notas quase que simultaneamente repetidas três vezes e é uma forma de agradecer. E aí, dentro de tudo isso, conseguimos essa palavra, que é bem sonora e é tudo isso junto”, explicou Gabi, em entrevista ao Bahia Notícias.
 
A parceria entre o tio e o sobrinho se iniciou bem cedo, desde os primeiros anos de vida de Felipe, que começou a tocar bateria aos dois anos de idade. A essa época, o projeto “Pradarrum” já estava gestado na cabeça de Gabi Guedes. “Eu já vinha tentando estruturar esse projeto muito antes de o Felipe nascer. Minhas viagens internacionais me fizeram estar à procura de um músico para tocar o projeto comigo. No entanto, não consegui achar a liga, o dendê para que eles tocassem com o mesmo sentimento que temos aqui. Deixei a ideia no coração e no papel. Quando eu viajei para a França para trabalhar em uma escola de percussão, eu comecei a rascunhar melhor a ideia.

 Voltei para o Brasil, encontrei o Jimmy Cliff, toquei com ele por diversas turnês internacionais durante dez anos. Depois de um tempo, senti a necessidade de retomar a ideia do projeto. Nesse meio tempo, pintou a Orkestra Rumpilezz e já são seis anos lá. Felipe queria integrar o baba e eu encontrei nele a pessoa que eu queria ter encontrado há muitos anos atrás, para poder mostrar essa música, que é a nova música de Salvador”, resumiu Gabi, que iniciou sua carreira artística no bairro da Federação, onde nasceu. “Aprendi a tocar os tambores ouvindo os sons dos terreiros”, lembrou.




                                                                   Foto: Bruno Santos

Nos próximos finais de semana, as cidades de Salvador (24, no Teatro Solar Boa Vista) e Santo Amaro (30, no Teatro Dona Canô) também receberão o projeto, que é integrado por oficinas e shows e foi contemplado pelo edital da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). “A ideia é mostrar essa possibilidade de tocar as coisas que são do candomblé fora dos terreiros; tudo isso sem ferir muito o lado da religião, sem apresentar muito a coisa”, contou Gabi. Por isso, os temas das oficinas vão desde os toques de atabaques no ritmo de candomblé, passando pela construção de cuícas e consultoria para elaboração de projetos tal qual o próprio Pradarrum.
 
Durante a conformação do projeto, cerca de quatro computadores foram destruídos– “sem exagero!”, dizem em uníssono os músicos. Por outro lado, foi a partir daí que o projeto “Pradarrum” começou a ganhar forma e hoje já aparece como prenúncio de um disco homônimo. “Temos a necessidade de não deixar que esses ritmos desapareçam com o conhecimento de outros ritmos. Eu acredito que aqui na cidade, 80% dos músicos, na categoria de percussão e bateria, não conhecem a musicalidade do candomblé, do terreiro”, deduziu. Para Gabi, o alto índice de desconhecimento é gerado pelo preconceito.  “A música do candomblé não tem que ficar presa ao terreiro porque é do candomblé; é uma música do povo. A Igreja vive agradecendo. E nós, que somos natureza, temos muito a agradecer, sabe? A cantiga do candomblé, a música do candomblé, toda essa espiritualidade é para você agradecer o ar que você respira, o marzão, todas essas árvores, os rios...”, sintetizou.
 
Mas a síntese do projeto está mesmo em Felipe Guedes, que sem pertencer a nenhuma religião está ligado à proposta devido à música. “Eu tenho um pé lá outro cá justamente pela música. E essa é a linguagem do Pradarrum”, explicou. E apesar de as oficinas não serem voltadas para o público infanto-juvenil, este público não está vetado a participar. “Afinal, no terreiro é assim. Desde pequenos, via oralidade, as crianças vão aprendendo a tocar. Nem pedem para tocar e já vão batendo no instrumento”, defenderam.




Fonte: Bahia Notícias

13 de março de 2013

Pai de santo é assassinado a tiros em Feira de Santana


Um pai de santo foi assassinado na manhã desta terça-feira (12) na BR-116 Norte, perto da entrada do distrito de Tiquaruçu, em frente ao posto São Cristóvão, em Feira de Santana, a 107 km de Salvador.
De acordo com a delegada Ana Cristina Santos, da Delegacia de Homicídios, o crime aconteceu por volta das 10h, quando Crispim de Jesus Cerqueira, 42, retornava de Santa Bárbara na companhia de um amigo, Aldair Martins Cerqueira, que dirigia o automóvel.
Eles foram abordados por dois homens de capacete em uma motocicleta Honda preta, que começaram a disparar contra o veículo. Por causa dos disparos, Aldair perdeu o controle do veículo e colidiu contra o muro de uma casa. Os bandidos fugiram.
Crispim foi atingido nas costas, na cabeça e no abdôme e morreu no local. Ainda não há detalhes sobre a motivação do atentado e nem a identidade dos responsáveis. A delegacia também desconhece o terreiro de Candomblé em que Crispim atuava como pai de santo.
Informações do Correio 24h

7 de março de 2013

Pastor polêmico presidirá Comissão de Direitos Humanos da Câmara


Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados, elegeram, nesta quinta-feira (7), o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) como presidente. Ele teve 11 votos dos colegas (houve 12 votos no total, sendo um em branco) e já havia sido indicado por seu partido para presidi-la. Feliciano é criticado por entidades ligadas aos direitos humanos por acusações supostamente racistas e homofóbicas, mas diz ter sido mal interpretado.

Após ser eleito hoje, Feliciano chegou a dizer que sua mãe é de "matriz negra", apesar de não ter o "matiz de pele" negro. "Caso eu fosse racista, deveria pedir perdão primeiro a minha mãe, uma senhora de matriz negra." Ele disse ainda que irá trabalhar "como um magistrado" no novo cargo.

A eleição do presidente é feita pelos membros da comissão, que, em geral, seguem a indicação partidária. A bancada do PSC, composta por 17 parlamentares, confirmou na terça-feira o nome do pastor para ocupar o cargo. Como vice, a indicação foi para a deputada Antonia Lúcia.

Até então, o PT comandava a CDH, sob a direção do deputado Domingos Dutra (MA), mas a legenda preferiu assumir as comissões de Constituição e Justiça e Cidadania; de Seguridade Social e Família e de Relações Exteriores e Defesa Nacional.

A sessão de hoje foi marcada, mais uma vez, por polêmicas e protestos -- o presidente Domingos Dutra chegou a se retirar da sessão, seguido por outros parlamentares, como Jean Wyllys (PSOL-RJ). A deputada Luiza Erundina chegou a dizer que "esta não é mais uma comissão de direitos humanos".
Dutra se recusou a comandar a eleição sem a participação dos movimentos sociais, que foram impedidos de entrar na sala da comissão.

Nesta quarta, a comissão deveria ter realizado a eleição, mas, devido a bate-boca e tumulto, a sessão foi cancelada e convocada novamente para esta quinta, desta vez, sem a presença de manifestantes e "torcida".

Aos 40 anos e pastor da Igreja Assembleia de Deus há 14, Feliciano é formado em Teologia e está em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados.

Polêmicas

Desde a semana passada, antes mesmo de ser indicado pelo PSC para o posto, a possibilidade de Feliciano como presidente da CDH gerou protestos de ativistas de direitos humanos, porque o deputado tem um discurso que pode ser considerado polêmico.

Em2011, ele usu o Twitter para dizer que os descendentes de africanos seriam amaldiçoados. "A maldição que Noé lança sobre seu neto, Canaã, respinga sobre o continente africano, daí a fome, pestes, doenças, guerras étnicas!", escreveu.

Em outra ocasião, o pastor postou na rede social que "a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime e à rejeição". No ano passado, o pastor defendeu em debate no plenário os tratamentos de "cura gay".

Ele nega as acusações de racismo e homofobia. Ontem,ele negou ser homofóbico. "Não sou contra os gays, sou contra o ato e o casamento homossexual. Quero o lugar para poder justamente discutir isso. Vai ser debate. Vou ouvir e vou falar", afirmou.

Na semana passada, uma petição no site Avaaz pedia que ele fosse deposto da comissão. Em seguida, o próprio deputado criou uma petição em seu site defendendo sua indicação.

Agora, uma petição no site Change.org assinada por um grupo de religioso diz que nem todos os evangélicos apoiam Feliciano.

PSOL e PT cogitam comissão paralela

Deputados do PT e do PSOL que se retiraram da reunião que elegeu Feliciano presidente afirmaram que pretendem realizar uma reunião na próxima terça-feira(12), às 11 horas, para decidir que medidas tomarão. Eles cogitam, inclusive, formar uma comissão paralela de Direitos Humanos em protesto à eleição do pastor.



Fonte: UOL

4 de março de 2013

Roda do Povo de Terreiro - Ilè Asé Babá Omín Ifan


Valdélio Silva - Siobá

Sob o lema, honrar, defender e preservar os interesses e fundamentos das religiões de origem africana, a Irmandade Beneficente Siobá realizou mais uma Roda do Povo de Terreiro no último sábado dia 02 de março, na Ilha de Itaparica no Ilè Asé Baba Omín Ifan de Pai Cosme de Osálá.

A Roda do Povo de Terreiro é mais um projeto gerido e articulado pela Irmandade que existe há 8 anos e trás doze membros permanentes, entre Ojés, Ogans e Tátas, que por indicação de um sonho e depois com a certeza do Ifá  receberam a missão de mobilizar, articular e contribuir de maneira mais prática para a melhoria das relações entre os povos de terreiro.

Durante o evento Valdélio Silva, Coordenador de Comunicação da Siobá, destacou a importância que os povos de santo devem desenvolver acerca de suas responsabilidades  tanto dentro quanto  fora do portão do seu Ilè.’ Temos que ter consciência de nossa importância para o asé. Nascemos com o propósito dado pelo orisá’. ‘ Não devemos ser exemplos somente dentro de nossas casas de santo, mas em todo lugar porque dentro ou fora da roça continuamos a ser pessoas de orisá’.

Walter Rui, também da coordenação de comunicação da Irmandade, falou ainda da relação particular que cada pessoa tem com seus orisás, inquices, voduns ou caboclos. É necessário que as pessoas de santo  todos os dias exerçam sua fé. Com ações e diálogos, pois só assim as mensagens e vontades de nossos ventos serão compreendidas de maneira clara por nós. ’Irmanados e conscientes de que somos uma grande família onde juntos cremos no invisível e  cremos no que não podemos tocar’.                            Walter Rui - Siobá                            

                                                                                                                 
                                                                                                                            
A ideia principal quando a Irmandade nasceu era de trocar informações.                                               
Os membros fazem questão de ressaltar que não existem para ensinar ou corrigir o outro irmão, ‘a Siobá emana a bandeira da soma entre os povos de terreiro’, completou Edvaldo Matos, Coordenador de Patrimônio.
Outra preocupação elucidada pela Siobá é a respeito do comportamento de alguns Ogans. Estes que são pais do vento, escolhidos pela entidade para a partir dali desenvolver obrigações dentro do ilê ao qual se confirme. 

Dentro deste universo existem distintas funções que o Ogan pode desenvolver tais como: alagbès   (nação Ketu), Xicarangoma (nações Angola e Congo) e Runtó(nação Jeje)  são os que tocam, também o ogan pode ser asogum (o que corta para o santo),como também os ogans devem ser responsáveis pelo bom desenrolar das festas tomando conta da casa quando aberta ao público.                                                                          Edvaldo Matos- Siobá
                                                                                                                    
Mas o que tem acontecido, e muito, é que alguns algbès tem feito disso profissão. O Ogan Alagbè foi preparado para conduzir o RUM do orisá no barracão, para entoar cânticos durantes às obrigações e não para cobrar financeiramente por isso. ‘Se um irmão de outro asé faz um convite para uma festa o Ogan deve ir como irmão para somar à festa e dividir os atabaques com os ogans da casa. Esta é verdadeira mensagem, a contribuição e união entre um irmão e outro, e não do jeito que está ocorrendo’, disse Matos. 

Outro ponto de discussão foi acerca da desunião entre os povos de candomblé. Uns alegam que existe uma ‘disputa’ entre alguns ilês, por exemplo, quem tem a casa maior, quem coloca o melhor asó (roupa), ou quem tem a conta que cause mais tombo no barracão. Tudo isso só enfraquece a família de asé. Pois somente juntos somos mais e naturalmente a ‘ameaça’ externa, isto é, os preconceituosos se deparariam com uma imensidão de filhos e filhos engajados num mesmo discurso e numa mesma direção.

Ainda na explanação de Matos, ele citou um exemplo: ‘Muitas vezes sabemos que um irmão nosso de asé tem um comércio e evitamos comprar na mão dele, na maioria das vezes porque temos vergonha ou medo de que outros ‘amigos ou colegas’ descubram sobre nossa religião. Esta reflexão e,  principalmente, aceitação do que somos e de onde fazemos parte, é a espinha dorsal de nossa luta por respeito, não há a necessidade de que se tolere, mas sim que se respeite e reconheça a importância e tradição que regem sobre as Religiões de Matriz Africana. Desde sua iniciação nos primórdios da construção do Brasil até sua predominação na formação cultural, social, econômica e religiosa do nosso país e, em destaque, na Bahia.

No final de cada Roda do Povo de Terreiro a Irmandade Siobá entrega um Certificado de colaboração para aquele Ilè que abriu suas portas para o projeto e também para irmãos de outros egbés vizinhos aquele.



Entrega do certificado para Pai Cosme- Ilè Asé Babá Omín Ifan

E como rege a tradição que o candomblé é fartura ao término das atividades Pai Cosme ofereceu a todos um deguste de uma feijoada bem africana. Omento de descontração e celebração pelo alimento.










Ivana Flores